O impacto da baixa cobertura vacinal em 2026
A queda das coberturas vacinais reforça o papel estratégico dos serviços de vacinação na prevenção de doenças
Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) mostram que, em 2025, mais de 90% dos bebês no mundo receberam pelo menos uma dose da vacina DTP, que protege contra difteria, tétano e coqueluche. No entanto, apenas 85% completaram o esquema de três doses, o que representa cerca de 110 milhões de crianças adequadamente imunizadas para essa vacina.
Por outro lado, 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma vacina durante o primeiro ano de vida, sendo classificadas como crianças “zero dose”. Além disso, milhões de outras iniciaram o calendário vacinal, mas não retornaram para completar o esquema recomendado.
Esses dados mostram que o desafio não está apenas em alcançar quem nunca foi vacinado, mas também em garantir que cada criança complete seu calendário de imunização.
Embora a cobertura vacinal global tenha apresentado uma discreta recuperação após os impactos da pandemia de COVID-19, os índices ainda permanecem abaixo do necessário para prevenir o retorno de doenças imunopreveníveis. O sarampo é um exemplo claro dessa realidade: a cobertura da primeira dose continua abaixo dos 95% recomendados para garantir a proteção coletiva, favorecendo a ocorrência de surtos em diferentes regiões do mundo.
E qual é o papel dos serviços de vacinação?
Clínicas privadas, hospitais, farmácias e demais serviços de vacinação exercem um papel estratégico na ampliação das coberturas vacinais. Cada oportunidade perdida de vacinação representa um paciente que esteve em contato com o serviço de saúde, mas saiu sem receber todas as vacinas indicadas. Reduzir essas oportunidades é uma das estratégias mais eficazes para aumentar as coberturas vacinais.
A recuperação das coberturas vacinais não depende exclusivamente de campanhas nacionais. Ela acontece diariamente, em cada sala de vacinação, em cada oportunidade aproveitada para revisar o histórico vacinal, esclarecer dúvidas e reduzir as oportunidades perdidas de vacinação.
Proteger uma criança vai muito além da aplicação de uma vacina. É garantir que ela tenha acesso ao cuidado, à prevenção e à proteção necessária para um desenvolvimento saudável.
Referências
Organização Mundial da Saúde (OMS) – WHO/UNICEF Estimates of National Immunization Coverage (WUENIC), 2025/2026.
Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) – Relatório sobre Cobertura Vacinal Infantil Global, 2026.
Agenda de Imunização 2030 (Immunization Agenda 2030 – WHO).




